|

O início do intinerário histórico da Escola Secundária do Dr. Manuel Laranjeira remonta ao já longínquo ano de 1967, quando, em Outubro desse ano, a Secção Liceal de Espinho do Liceu Nacional de Vila Nova de Gaia franqueou pela primeira vez as portas do Palacete Rosa Pena, no entroncamento das Ruas 19 e 26, aos seus primeiros alunos dos então 1.º e 3.º anos – actuais 5.º e 7.º anos.
Entretanto, prosseguiam os esforços para a concretização de um outro desiderato fundamental: a obtenção de instalações próprias, modernas e funcionais com capacidade para corporizar a dinâmica de crescimento da sua população escolar e do meio envolvente.
A proposta de localização do novo edifício escolar foi apresentada pela Câmara Municipal de Espinho à Direcção Geral de Urbanização, em 1965 (Ofício nº 3121/ 65, de 14 de Dezembro), mas só em 1970 a sua construção seria incluida no III Plano de Fomento. O ancoradouro escolhido para a escola foi um espaço aberto situado a nascente do núcleo residencial de Espinho, em Anta. Alguns anos depois, em 27 de Maio de 1976, pelo Decreto- Lei nº 417/ 76, o Liceu Nacional adquiria uma identificação própria, um nome e um rosto, um patrono, o Dr. Manuel Laranjeira.
Manuel Laranjeira (1877-1912), médico de profissão, um espírito brilhante, inquieto e inquietante e um temperamento apaixonado, legou-nos uma obra de grande densidade dramática e de aguda sensibilidade intelectual em domínios tão diversificados como a poesia, o jornalismo, o teatro e o ensaio. O seu engenho acutilante não passou despercebido à elite cultural portuguesa e estrangeira dos finais do século XIX e princípios do XX, entrando no círculo restrito de amizades de figuras renomadas como Ramalho Ortigão, Teófilo Braga, Teixeira de Pascoais, Amadeo de Souza Cardoso e o espanhol Unamuno, entre outros. Mas para lá dos seus grandes méritos intelectuais, Manuel Laranjeira foi sobretudo um homem do seu tempo, “um filho – como escreveu – deste século de tristeza, de ansiedades impossíveis de satisfazer”.

|