O escritor deste livro baseou-se numa história real, relatando a vida de Carolina Loff, militante do partido comunista nos anos 30.
Esta história desenvolve-se em três planos diferentes. No primeiro plano está a própria vida de Zulmira, uma vida interessante desde o princípio, dos estudos em Coimbra ao fim, à sua morte num hotel. Num determinado momento há a referência a alguém que conta as suas memórias, altura em que Zulmira se encontra envolvida, no âmbito sentimental, com um colega desta personagem. Por último, um argumentista faz investigações da vida desta mulher, o que se irá reflectir nos pontos íntimos e pormenorizados que se encontram no livro.
Também se pode dizer que este livro revela-se de grande interesse para os leitores. Não só se limita a contar a história de uma das mulheres mais destacadas no partido comunista e a mais procurada pela PIDE, mas também dá a conhecer o estilo de vida da época, o fascismo e as condições culturais e sociais que se viviam nesses tempos. Além de tudo isso, mostra a clandestinidade da vida dos militares comunistas.
Na verdade, considero que o livro está extraordinariamente bem escrito, o escritor consegue integrar o leitor na época e na história que está a descrever, tornando esta mais realista e interessante.
Escrito em 1973, composto por um poema inédito e por poemas de anteriores livros, País Possível é um
livro com uma incontestável temática: “a do mal-estar de um homem que, ao longo da vida, tem pagado caro o preço por ter nascido em Portugal”. De acordo com o título da obra, estamos perante um livro que mostra Portugal como um país real, não mítico ou mistificado, ou então como um país ainda irreal, mas que depois de tornado real, tende a tornar-se impossível.
Profundamente mediterrânica na sua tonalidade, a linguagem poética de Sophia realça, para além da sólida
cultura clássica da autora e da sua paixão pela cultura grega, a pureza e a transparência da linguagem na sua comparação com as coisas. Sophia é, sem dúvida, um dos mais amados poetas portugueses.
O título desta obra surge como proposta de reflexão para os leitores - a discriminação entre as pessoas do mundo, partindo do exemplo da vida de Cristo.
Bichos é um conjunto de narrativas muito interessante. Nesta obra, Miguel Torga humaniza cães, gatos, burros, sapos ou até galos.
Nero, um dos contos desta obra, é o cão de uma humilde família. Na apresentação de Nero, somos confrontados com o seu passado, a pobre vida de um cão que, depois de muito sofrimento na sua infância, acabou por ser recompensado ao encontrar uma família que o acolheu com carinho e lhe deu um nome. Este cão acaba a sua velhice cego e a questionar a vida, com um futuro que todos os seres deste mundo esperam, a morte. Na minha opinião, esta momento é o clímax do conto, pois Nero acaba por morrer feliz, a recordar os momentos felizes e infelizes da sua vida, ao lado da sua dona preferida.
Os Preços é uma peça de teatro, da autoria de Jaime Salazar Sampaio, onde encontramos falas que nos
surpreendem bastante devido à sua forte crítica à sociedade.
A personagem central nesta peça é o Maluco, um indivíduo da nossa sociedade. “Maluco” é um nome particularmente interessante, mas a forma como esta personagem é apresentada é ainda melhor, pois em cena o Maluco revela características típicas da nossa sociedade, como, por exemplo, exigir a um médico que lhe dê um atestado que comprove a sua instabilidade psicológica. Porém, esta personagem que parece querer mostrar-se instável na realidade não o está, simplesmente quer ter alguns rendimentos sem ter que trabalhar para isso. O mais caricato é a constante referência à subida dos preços, que parece atormentar a vida deste indivíduo.
Na minha opinião, esta peça critica fortemente as atitudes de uma sociedade consumista e egoísta.
”Olhos Verdes”, de Luísa Costa Gomes, antes de ser um romance, é sobretudo uma sátira moderna à sociedade e à beleza. A autora demonstra-o através dos protagonistas da história: Eva e Pedro Leví. Eva é uma mulher bonita, mas confusa e Pedro Leví é um homem bonito, mas narcisista e hipocondríaco. Em comum têm o facto de ambos terem olhos verdes e de se cruzarem várias vezes ao longo da narrativa.
Luísa Costa Gomes tem em ”Olhos Verdes” uma sátira moderna à sociedade e à beleza, uma sátira repleta de personagens estranhos e inverosímeis como as irmãs da Fonseca, esteticistas e guias espirituais que são protagonistas de vários momentos cómicos. A comédia está patente em praticamente toda a obra. Ainda assim, este livro pode ser cansativo para alguns devido às
personagens e ao seu temperamento.
Para saberem como é que estas personagens vão ultrapassar os seus medos, leiam Olhos Verdes.
Dos contos que li neste livro, destaco O Retrato de Mónica, personagem principal da história.
Mónica é a mulher idealizada por muitos. Quem a conhece tem uma boa impressão dela. No seu quotidiano consegue fazer várias coisas em simultâneo: jogar golfe, fazer colecções, organizar festas. No entanto, ninguém é perfeito porque todos nós cometemos erros. Ela na sua perfeição é imperfeita, sobretudo psicologicamente.
Em As Intermitências da Morte a morte ganha vida, tem um espaço próprio e toma formas humanas. Toda a
obra é um relato da vida que a morte leva, vida essa insatisfatória, solitária, ingrata e, por isso, demasiado longa. Depois dos longos meses em que decide parar a sua actividade num país, para que os humanos repensem a sua posição quanto à vida eterna, a morte é obrigada a reflectir sobre a sua própria condição.
Uma força tão poderosa como a morte nunca se rebaixaria perante a insignificante massa humana, cujas vidas controla. No entanto, poderá apenas um homem ter o poder de controlar a morte?
A obra Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes, é uma narrativa da primeira metade do século XX.
Este romance narra a vida de jovens trabalhadores que, nas margens do esteiros do rio Tejo, fabricam peças
de barro nos telhais, e expõe a condição social da região do Tejo, sem dramatismos e mostrando a decadência de uma vida sem educação.
As personagens principais, que são crianças, sujeitam-se à dureza do trabalho quando o conseguem arranjar, vadiando e roubando para comer, porque o que eles recebiam no trabalho era muito pouco. Mas, apesar de tudo isto, ainda conseguiam sonhar.
Esta obra aborda também a violência infantil, pois o pai de uma das crianças batia-lhe.
Em O Homem sem Nome encontramos um mundo em que a magia se mistura com o real. Neste mundo vive
um poeta que se recusa a ter um nome, um trovador capaz de projectar alguém para outro universo apenas com a voz. É um aventureiro que inicia a sua viagem no deserto, conseguindo encontrar um oásis. Aqui começa o sucesso do poeta, conhece um princípe que o levará a muitos sítios para todos ouvirem a sua voz e sentirem um prazer irresistível tal como o princípe sentiu. Apesar deste princípe se admirar pelo poeta se recusar a ter um nome, este explica-lhe que o nome é uma simples palavra e ele caracteriza-se apenas como uma voz. O leitor entra também neste mundo, acompanhando o poeta nas suas extraordinárias viagens e apercebe-se que o trovador vai mudar a vida das personagens. Será este homem sem nome menos importante para nós do que alguém com um nome ?
É este o romance de João Aguiar que aconselho a ler, muito simplesmente porque, mais do que uma história fantástica, o livro contém uma mensagem sobre a vida e sobre os homens.